domingo, 24 de julho de 2011

AMY está viva...!

Mas não fisicamente. Aliás, ela já não estava viva fisicamente há um bom tempo. Hoje, amanhã, e ainda por um bom tempo, você verá fotos, ouvirá músicas, saberá de novas informações sobre sua mais do que esperada morte. Talvez daqui 10 anos ela esteja nos pôsteres como Janis, Hendrix, e outros que foram para o buraco cedo demais - mas, de um modo ou de outro, por escolha própria.
Amy Winehouse está viva - sim - em dezenas de outros "astros" da música que, exatamente como ela, ou de forma bem parecida, estão trafegando pela mesma estrada cheia de altos e baixos do estrelato. Muitos personificam a mesma atuação autodestrutiva, que alegra os fãs e deixa os mais taciturnos se perguntando: "Mas ela tem tudo, está no topo do mundo, por que agir assim..?"
Exatamente por isso. Ninguém chega onde Amy chegou sem uma poderosa máquina por trás. A impiedosa e voraz indústria da música é a verdadeira fábrica de ídolos. Ela escolhe quem brilha, quem não tem chance, e quem não merece mais uma chance.
A indústria tem um exército de cães que farejam incessantemente todos os meios de comunicação atrás de "novos talentos". Uma vez descobertos, eles são cooptados, ludibriados, iludidos e atraídos como os marinheiros pelas sereias mitológicas. É irresistível, porque é uma promessa de tudo o que todo artista quer. Uma vez "comprado", o até então ingênuo futuro astro é desconstruído e reconstruído à imagem que o mercado achar mais fácil de deglutir. 
Em pouco tempo a indústria decide se o seu investimento tem futuro. Se não, ele é descartado vergonhosamente, rebaixado rápido a uma categoria onde nem mesmo pode voltar a tocar nos botecos sujos e vazios da época do anonimato.
Mas, se consegue produzir cifrões suficientes, ele passa por um outro processo, esse ainda mais cruel que o primeiro: a produção e manutenção do ídolo. O rockstar, a popstar, o novo grande talento mundial. E esse processo inclui manter seu "produto" feliz, satisfeito, iludido - desde que produzindo adequadamente. Mansões de 500 quartos, carros de milhões de dólares, mulheres (ou homens) à escolher no catálogo, e muito de tudo que você desejar. Obviamente que as drogas (genericamente falando, qualquer coisa que mais prejudique do que ajude...) estão no cardápio!
Todo mundo sabe e fala de Kurt Cobain. Aquele "pobrezinho" que não suportou a fama, a frustração de não poder passar sua "mensagem" ao mundo e, guiado por uma mão dormente de heroína, suicidou-se. Mas, no mesmo ninho do grunge, uma tonelada de outros talentos menos estelares tomou o mesmo rumo. Lembram-se de Layne Staley, vocalista do excelente "Alice in Chains"? E Shannon Hoon, o menino bonitinho líder do ascendente "Blind Mellon"? Pois é, achei que não. Suas vidas foram tão ou mais atormentadas que a de Cobain, suas tragédias pessoais talvez maiores - mas a indústria escolheu Kurt para personificar a imagem do "ídolo martirizado" - a mesma indústria que sugou sua criatividade até a última gota, enquanto o mantinha vivo ligado a uma máquina ininterrupta de entorpecimento. 
Quem matou Cobain, Amy, Michael Jackson, Elvis, a galera do "clube dos 27"...? As drogas? A MTV? A Rolling Stone? Nós, seus fãs?
Existe um filme muito, mas muito tosco. E por isso mesmo, engraçado pacas. Chama-se "Get Him to the Greek" (no Brasil, "O Pior Trabalho do Mundo"). Estrelado por Russel Brand - ele próprio um drogado em recuperação - é uma descrição estereotipada e MUITO verdadeira desse mundo. Frases como "Se ele quer drogas, dê-lhe drogas". "Se ele quiser te comer, dê pra ele!", são amostras do que o pobre assistente de estrelas ouve de seu todo-poderoso produtor - que não quer seu astro livre das drogas porque ele não vende nada quando está careta... deu pra sentir a vibe, né?
Por essas e outras (mais outras do que essas) é que existem tão poucas bandas do naipe de um RUSH ainda na ativa por aí. Opostos a tudo isso que a indústria produz, e ainda assim ativos e lucrativos há quase 4 décadas, eles já sabiam qual seria o caminho certo - e o errado. Deixaram inclusive uma "cartilha" para os que quiserem se aventurar por esse caminho enganoso: basta ver a letra de "Limelight".

Ah - e a indústria musical está muito, muito enlutada. Amy, lá da sepultura, vai render muita grana, por muitos anos! Resta encontrar outra, e começar tudo de novo... it's all about money, honey!
Welcome, Amy! What took you so long?







música para reflexão: "Just let me Breath", do Dream Theater.


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9 comentários:

Lalá disse...

Ótimo texto! Realmente há muito mais nessas histórias do que um desavisado indivíduo poderia pensar. Tudo é um certo jogo de interesses e, no final, quem sai ganhando (e/ou perdendo) mais?

Seu blog está muito bom, continue assim. :)

Nany Morrison disse...

Certa vez passei por aqui, mas como estava no trabalho tive que fechar rápido a janela, rs! Aqui td é "proibido" ¬¬

Mas aqui estou novamente e dessa vz para comentar, seguir e divulgar.

Gostei muito do seu texto, acredito que a Amy tinha lá seus demônios antes da fama e que eles aumentaram depois. Não julgo seu estilo de vida uma vez que cada pessoa deve seguir como bem entender, oq me entristece é que para essas pessoas toda vez que falta algo elas querem suprir com drogas. Nós meros mortais tb nos jogamos na cerva de vez em qndo, mas pq eles não conseguem parar?

A música vive, muitas histórias serão contadas, como vc disse mais uma pro clube dos 27. Seguiremos com menos um.... aguardando a próxima estrela (ou vítima?) da indústria.

Abraço! E já te linkei lá no meu blog!

Conservado no ROCK disse...

Legal, Nany...

É o cometário de vocês que transforma os posts em bate-papo! Volte sempre!


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Vagner disse...

hahahaha

Voce falou de "mansões de 500 quartos" e eu lembrei daquele programa nojento da MTV que chama CRIBS onde eles vão nas mansões dos astros.
Geralmente é um rapper ou jogador de basquete que atende a porta assim: "YO, THIS IS MY CRIB YO", e começa a mostrar um monte de cômodos decorados que nunca foram nem mexidos.
Uma lastima, bancada pelos fãs.

Fabrizia disse...

Ótimo, texto!
Acho que perdi toda minha paciência pra aturar essa babaquice post mortem como Michael Jackson, não dá não :S

Aline Aimée disse...

Péra, lá!
Eu lembro do Layne Staley!
E o Syd Barret também?
Nego morre literalmente, ou morre pro mundo, no ostracismo.
Também pode fazer como Rimbaud, abandonar a arte e virar traficante de armas na África. Oi?

Conservado no ROCK disse...

Aline...

Rimbaud já era heavy metal sem nem saber. Ele achou a "pena" muito devagar. Preferiu a "espada". Como diz o mestre Neil Peart: "you can kill with pen or sword..."

E nem citamos os que tiveram o mesmo insight, e simplesmente voltaram ao básico. Tipo o Paul DiAnno, que quando viu o Iron Maiden virar um super-hiper-ultra-mega fenômeno, resolveu que o que ele gostava mesmo era tocar em casa pequena pra algumas dezenas de doidos.

A cosmogonia do Rock é cheia disso...

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leticia ferraz disse...

Adorei! falou tudo mano!!!

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leticia ferraz disse...

Amei! amo Amy Winehouse e semre amarei .

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