sábado, 21 de fevereiro de 2015

AO VIVO é mais gostoso sempre!!!

Você, nosso/a diletíssimo/a leitor, sabe que sempre lemos as besteiras que vocês escrevem (assim como vocês leem as nossas...). E, embora a gente sempre confira suas sugestões, nem sempre dá vontade de atender... 
MÃS... um dos pedidos mais insistentes é o infame "sugestões de bons discos" - e isso é algo que não podemos negar. Principalmente no caso dos mais jovens, que anseiam pela sabedoria rockeira vinda de anciões que já percorreram mais da metade do caminho desta existência pesada.
Em assim sendo, faremos o seguinte. NADA DE MELHOR COISA NENHUMA - porque isso vai de cada um, e se eu publicar algo que outro editor não goste, a porrada come. 
Vamos dar alguns exemplos - isso sim - de ÁLBUNS ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIOS para que você possa se considerar um aspirante a neófito da Sagrada Senda do ROCK. 

Nesta primeira leva, somente álbuns AO VIVO. O motivo é o seguinte - nos "Live albuns" geralmente as bandas escolhem as melhores faixas pra tocar - e tocam de um modo mais pessoal, menos "engessado", como tem que ser nos estúdios. Mais autêntico, mais selecionado - consequentemente o melhor para exibir.

Pode concordar ou não. Sugerir mais uma tonelada de outros álbuns. Reclamar, espernear, ranger os dentes. MAS JAMAIS DIZER QUE ESSES AÍ EMBAIXO NÃO SÃO IMPRESCINDÍVEIS!!!

Confira aê:


RUSH - EXIT...STAGE LEFT


Lançado em 1981 e contendo - na época - 2 LPs, esse pode seguramente concorrer ao melhor álbum da melhor banda de todos os tempos. Antes da fase "eletrônica", que afastou muitos pseudo-fãs, Alex Lifeson, Neil Peart e Geddy Lee brindaram o mundo com versões ao vivo de alguns de seus maiores hits. Usando o que havia à disposição na época, levaram ao palco tecnologia avançada de luz e som - e destruíram com performances absurdas. Lee tocando ao vivo o baixo, os teclados, cantando. Peart praticamente escondido atrás da maior bateria já vista até então. E Lifeson indo do violão acústico ao double neck com maestria. Tudo irretocável. Perfeito. Sensacional.
O público do RUSH sempre foi muito fiel e diferenciado. E o motivo pode ser facilmente percebido nesse ao vivo. Tudo é tão bem executado, cada nota tão perfeitamente colocada. E, mesmo assim, a energia  flui e a cabeça bate no ar. A voz peculiar de Geddy faz cantar junto. A bateria de Peart hipnotiza e faz pensar seriamente em sua divindade. E os riffs e solos de Lifeson dão o toque pesado e intrincado que caracteriza esse bolachão.
Há mais de 30 anos, tocar ao vivo músicas elaboradas com muitos instrumentos diferentes, vários takes de estúdio e uma elaboração inacreditável mostrou ao mundo o que o mundo já sabia: eles fazem o que quiserem ao vivo... e ninguém supera o RUSH em técnica e execução. Ponto.

DESTAQUES: Absolutamente tudo, da introdução ao grand finale. Mas a percussão do Mestre Peart em "Xanadu" derruba a mandíbula.


MOTÖRHEAD - NO SLEEP 'TIL HAMMERSMITH


Também lançado em 1981 (como foi bom estar vivo nesse ano!), deus Lemmy e seus comparsas Philty Animal Taylor e Fast Eddie Clark introduziram o conceito de massacrar os ouvidos das audiências. Até então não se conhecia tamanho volume e brutalidade sonora como o que foi derramado pelo trio.
Uma mixagem fraca, edição pobre em termos de refinamento - ingredientes essenciais para quem, à época, achava que não existia nada mais pesado que Judas ou Purple.
O baixo treme-terra, a guitarra insana e uma quase inédita bateria de dois bumbos serviam de fundo para Lemmy arrotar as letras sem a mínima consideração com a sensibilidade auditiva da platéia. As melhores faixas até então estão presentes, e uma vem atrás da outra quase sem intervalo.
Embora a atual formação seja - talvez - a melhor de todos os tempos, "Hammersmith" foi o auge do barulho maravilhoso. Quem tinha a satisfação de adquirir o LP não acreditava no que ouvia. E certamente esse álbum foi fundamental para o Motör estar onde está hoje - no panteão dos deuses do Metal. Forever!

DESTAQUES: "(We are) The Road Crew" é um tapão no pé do ouvido. 



JUDAS PRIEST - UNLEASHED IN THE EAST


Sempre penso como seria se esse álbum tivesse sido feito com os recursos de hoje. O petardo veio à luz no longínquo ano de 1979. Exato, amiguinhos e amiguinhas, quando muitos de vocês ainda discutiam como queriam encarnar.
Esse álbum saiu em vários países com vários nomes. Os fãs conhecem como "Live in Japan", ou whatever, e o fato é que TODAS as músicas são primorosas. o metal god Halford, as guitarras gêmeas de K.K. e Tipton, o baixo infalível de Ian Hill, e o meteórico baterista Les Binks trouxeram para os nossos ouvidos pouco mais de 1 hora do que viria a ser conhecido como autêntico HEAVY METAL!
Muitos que conheciam os discos de estúdio se questionavam... "será que Rob consegue reproduzir tudo isso ao vivo?" A resposta é um sonoro NÃO. Ele não reproduz - ELE SUPERA! Atrevo-me a dizer que todas as faixas são melhores nesse álbum do que em suas versões originais. Halford está possuído, sua voz simplesmente não falha. As oitavas vão sendo superadas, os graves viram agudos, e até músicas sem grande apelo pesado como "Diamonds and Rust e "Victim of Changes" viram petardos niquelados ao vivo. Tudo marinado nas guitarras absurdas de K.K. e Glenn. Não tem enrolação, o falatório é pouco, e se alguém conseguiu ouvir sentado e imóvel, certamente foi sepultado pouco tempo depois.

DESTAQUES: Muito, muito difícil apontar um ou outro. Mas "Green Manalishi" estoura os woofers, e "Tyrant" mostra porque Halford era considerado na época o melhor vocal do Rock Pesado.



AC/DC - IF YOU WANT BLOOD... YOU'VE GOT IT


"Quem  você prefere? Bon Scott ou Brian Johnson?" Perguntinha cacete que não merece resposta. Mas este álbum está aqui por um motivo - a atuação sensacional de seu então frontman, o falecido Bon Scott.
Voltamos um pouco mais no tempo e estamos em 1978. O AC/DC não é nem de longe o sucesso estratosférico que é hoje. Não é modinha nas camisetas de roqueirinhas de boutique. É uma banda de gênero ainda indefinido, lá do cu do planeta, que tem uma característica peculiar: tocar com autenticidade e garra.
"If you want blood" é tudo isso e muito mais. Talvez um dos álbuns que mais passe a sensação de estar no show, tomando várias e ouvindo bem ao lado da caixa de som. Parece até ter sido feito em um take só, sem edição ou mixagem. Tudo flui gostoso, naturalmente, como num verdadeiro show de verdadeiro Rock'n'Roll. A voz bêbada de Bon vai do boogie ao quase metal. Angus Young está chegando ao auge de seu talento. Seu irmão Malcolm segura a base incrível com Cliff Williams e Phil Rudd. Vem daí a tradição de shows matadores do AC/DC, já que tudo é tão bem azeitado que parece ser exatamente assim no estúdio. Claro que a banda tem oficiais e bootlegs excelentes ao vivo. Mas este álbum foi meio que um aviso ao mundo do que a Austrália estava gerando - e que em breve iria tomar de assalto o cenário do Rock Pesadíssimo. E foi o que aconteceu!

DESTAQUES: "Bad Boy Boogie" e "The Jack" mostram bem a característica dessa gangue. Transformar qualquer ritmo em motivo pra chacoalhar o cabeção. Peso sempre.


QUEEN - LIVE KILLERS


Deixa eu confessar uma coisa. Minha primeira paixão em termos de Rock foi o Queen. E durou até o famigerado "The Game". Depois daí não consegui mais ouvir a chatice eletrônica, meio disco, meio sei-la-o-quê, que veio a seguir (com poucas exceções).
Mas todos os motivos para essa paixão estão presentes nesse que eu considero um dos melhores álbuns ao vivo já feitos no mundo do Rock. Uma das bandas mais competentes e redondas que já existiram no auge da performance. John Deacon infalível no baixo. Roger Taylor competente na bateria e extraordinário no vocal. Brian May, na minha opinião um dos melhores (e mais subvalorizados) guitarristas de todos os tempos, e a estrela Freddie Mercury, digno de todos os elogios.
Também lançado em 1979, o orgasmo começa com a embalagem. Dois LPs em uma capa dupla repleta de fotos sensacionais dos shows. Considerando que raríssimos seres que habitavam este paisinho de bosta tinham a condição sequer de comprar uma revista de Rock importada - que dizer de assistir um show ao vivo - imaginem só ouvir as músicas vendo aqueles pequenos momentos em foto.
Alternando momentos de puro Hard Rock com mela-cuecas que ficaram mundialmente conhecidas (sim, falo de "Love of my Life"), o quarteto conseguiu preencher exatos 90 minutos e 08 segundos de Rock and Roll da melhor - e coloca melhor nisso - qualidade.
Os bobocas que só conheceram o Queen mais atual (justamente a fase xarope), e não se aventuraram em conhecer de onde essa que é uma das melhores bandas do Rock realmente veio, ficarão meio tensos com tanta pauleira e tanta energia.
Surpreendente, Roger Taylor segura um backing vocal impressionante. E canta com a voz rasgada, arrebentando em "I'm in love with my car". Músicas excelentes que hoje poucos conhecem, como '39 (com May nos vocais), "Brighton Rock", "Let me Entertain You", e delicadezas sonoras como "Dreamers Ball", "You're my Best Friend" e "Spread Your Wings" mostram que os caras sabiam fazer absolutamente de tudo, e que qualquer headbanger sairia de um show desses sem ter o que falar de mal. Principalmente depois de ouvir o que o Brian faz nas cordas (usando uma moedinha como palheta). E a bateria bombardeira de Roger Taylor, que carrega todo o peso das músicas. Just genius.

DESTAQUES: A versão Hard de "We Will Rock You", um dos melhores exemplos de faixa de introdução que incendeia o show. E realmente "rocka" todo mundo!



Vão se divertindo, correndo atrás dessas preciosidades - que eu vou preparando mais sugestões para o futuro. Uma lição que vocês certamente vão tirar é - "Ah, agora eu entendo como esses caras curtem ROCK há tanto tempo..." SIM, é exatamente porque o bom Rock'n'Roll já é feito há um bom tempo. E somos privilegiados por termos vivido tudo isso. Fazer o quê..........

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

DETOX !!!

Mesmo que você não seja do tipo energúmeno multicitado no último post, é sempre bom explodir os tímpanos ao som do que realmente faz bem à alma do TRUE Rocker (posers, just drop dead!)

Então vai lá - soca o volume no 11 e bata seu cabeção no ar! Tem Metal da melhor qualidade aê! Cortesia do nosso imortal godfather..............the man himself!





Bang that fucking head you crazy bastard!!! 


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

mooooostra a tua cara, folião!

É isso, minha gente!

Esse negócio de reclamar de governo, corrupção, ser assaltado, sequestrado, lesado pelos impostos, esse lance de fingir que é civilizado e vive no primeiro mundo dá uma canseira danada...

Por isso existem esses dias maravilhosos, onde a gente pode esquecer de fazer pose, criar tipo, publicar fotinhas comportadas e elegantes na internet, e dar uma descansada nessa história de se passar por "roqueirinho".

É hora de cuíca, fantasia, muita birita, todas as drogas conhecidas e desconhecidas, sexo sem compromisso (e camisinha)... SIM, É CARNAVAL!!!!

Relaxa desse lance de usar camiseta de banda, postar críticas ao desgoverno teocrático petista, deixa pra lá a compostura e a civilidade. Chama aquela rodinha de "amigos" inúteis, improvisa um "adereço", e vai pra avenida!!! Larga o marido, a esposa, as crianças, e vai pra avenida pegar a primeira criatura bêbada, drogada e inconsciente que aparecer!!! Lê-lê-lê...ô-ô-ô !!!

Afinal, depois você vai ter que recobrar aquela enfadonha postura de pessoa "direita", "consciente", politicamente ativa na sociedade, aquele ser hipócrita e ridículo que forma a grande parte desta terra de ninguém. E - sacrilégio dos sacrilégios - voltar a fingir que é do Rock (não, hoje eu tô aqui no "vai quem quer", mas na verdade eu sou thrash metal de coração...)

E - seja feliz - porque a sua vida vai continuar uma merda no resto do ano!! Sua vida e este grandioso país, que tem os líderes, o povo - e a festa - que merece!! 

é hora de fazer novos amigos...
trocar aquela camiseta de Rock por um belo abadá...
sabendo que, enquanto você banca o ridículo, os trouxas de quem você fala tanto mal vão estar cuidando da segurança dessa sua vidinha inútil...
hora ideal para procriar... encher esta nação de mais crianças perdidas de pais desconhecidos e mães chapadas...
sem esquecer dos seus "verdadeiros amigos"!



música para reflexão: aquele trecho de "Perfeição", do Legião, que inspirou este texto:

"Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais..."

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

...e você continua se achando do Rock'n'Roll... shit!

Oooooo.....vejam como nós somos estilosos! É o RoqueErrou!
Não entendeu? Eu repito:
Você NÃO é do Rock'n'Roll. E por um dos motivos a seguir. Tente colocar isso na sua cabecinha quadrada.

Você não escolhe curtir Rock. Você é escolhido por ele. 
Um belo dia, no ambiente menos provável, você vai ouvir aquele acorde, aquela batida, aquele grito - e vai saber que quer ouvir aquilo para o resto da sua vida. 
E o Rock é exclusivista. Um estilo musical ciumento, possessivo. Embora admita certas liberdades, como música clássica, sub (e super)gêneros honrosos, como o Jazz e o Blues, o "ecletismo" beira a impossibilidade.
E - não - não o ecletismo dentro do Rock. É aceitável curtir Hardcore e Prog ao mesmo tempo. Ambos possuem o mesmo DNA. Já aquela toada de que "ah, eu gosto de tudo, Rock, funk, pop, chorinho..." coloca você diretamente no título deste post. Você não é do Rock se está ao lado de uma pessoa que não gosta de Rock - ou pior - gosta INCLUSIVE de Rock, entre músicas de maior ou menor potencial enojante.
O Rock não é música. É lifestyle. 
Se tá difícil entender, assista o documentário do Lemmy.
Você não corta seu cabelo ao "estilo Rock", não faz tattoos "ao estilo Rock", e não compra roupitchas "ao estilo Rock". Porque o Rock é - em si - uma total ausência de estilo. E é justamente aí que mora a alma rockeira. A camiseta preta não foi comprada naquela loja famosa e nem aparece no editorial de moda. Ela foi achada numa birosca de esquina, ou herdada de alguém, ou até feita à mão, em casa. Modelos lindas nas fotos com seus lookinhos "jeans rasgado, camiseta de banda, acessórios de spikes" são a antítese do que é SER do Rock'n'Roll.
Houve um tempo em que o simples fato de ouvir Rock era ato marginal. Daí o orgulho de se vestir diferente, comportar-se diferente, envelhecer em um tempo completamente surreal diante dos "outros". O Rock só tocava nas rádios especializadas, nos programas especializados, só figurava em revistas especializadas - geralmente as mais pobres e mais mal feitas, os fanzines. Ostentar uma camiseta do AC/DC, do Motörhead, do Led... era quase que um uniforme da Resistência. Um sonoro NÃO ao conformismo, ao modismo, ao rebanho de seguidores que rezam pela cartilha do que "está in"...
Hoje em qualquer lugar se vê cretinos usando camisetas de 200 reais, geralmente logos de bandas "repaginados"(bleargh) por "grandes estilistas". Invariavelmente acompanhadas por jeans caríssimos, acessórios de marca. E por pessoas que no dia seguinte estarão usando camisa polo rosa com aquele jacarezinho ridículo, ou camiseta do "framengo", do "curíntia", ou um vestidinho caro daquela loja que explora trabalho escravo...
Essas são aquelas pobres pessoas que consomem. Consomem muito. Talvez para tentar tapar aqueles buracos na alma, talvez para ganhar milhões de "curtidas no face" daqueles amigos mooooito sinceros que morrem de medo de você não "curtir" as fotinhos ridículas que eles próprios postam. Talvez até seja o simples desejo de pertencer a um grupo, uma gangue, um segmento diferente... whatever.
O fato é que o Rock não é artigo de consumo. 
SIM, você PODE comprar tudo. E existem os babacas que vendem de tudo. Você pode até achar que "é do Rock"........ mas aí o tempo vai passar, você vai voltar àquela roupinha enquadrada. Vai ouvir o sonzinho fácil e intragável das rádios. Vai voltar a ser o que sempre foi.
...só se for no seu CU ! Fucking poser!!!

Você pode ter dinheiro para comprar uma Fender Stratocaster só para pendurar na sua parede. Isso não fará de você nem uma ameaça de Rocker.
Se ainda não entendeu nada, ligue sua TV e sintonize na MTV brasileira. É autoexplicativo. Menininhos e menininhas vestindo roupinhas de marquinhas famosinhas, com suas tattoos coloridinhas e gírias escrotas. Um milhão de amiguinhos e seguidores nas redes sociais, dezenas de fotinhas nas revistas de "gente famosa".
Isso não é Rock'n'Roll.
Rock'n'Roll é um jovem de mais de 60 anos usando a roupa que lhe agrada, ouvindo e tocando o som que lhe agrada, e - não por coincidência - criando há décadas os parâmetros para alguém que É do Rock (quem seria esse menino... alguém arrisca?)

Já você esta tão longe do espírito Rockeiro quanto sua botinha de loja famosa está da unha podre do dedão do pé de Lemmy Kilmister. 

ilustrando o anti-poser, o oposto do roqueirinho de loja de departamentos..... a atitude/postura/visual de Angela...


Get real.






música para reflexão: "For those about to Rock", do AC/DC

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Aos loucos assumidos... seu rei!






Charles Bukowski é um desses casos em que fica muito difícil separar vida e obra. Ou talvez seja até fácil, se não tentarmos separar uma coisa da outra. Tudo o que a sociedade estabelecida abomina tem protagonismo na obra dele - seus personagens são desajustados, marginalizados, viciados, e sempre contestadores do establishment.
Exatamente como ele próprio. Nascido na Alemanha em 1920, mas criado desde criança nos EUA, Charles teve daquelas infâncias problemáticas. Era filho de um soldado americano estacionado na Alemanha, violento, descontrolado e sem o menor talento para o trabalho de pai. Espancamentos frequentes eram seu elo mais forte com a figura paterna.
O mesmo na escola, onde o desajustado Charlie não conseguia fazer amigos. Sua inteligência já o fazia olhar o mundo com outros olhos, era um questionador. Pra piorar, ao chegar a adolescência, desenvolveu uma estranha doença inflamatória que lhe deformou parte do rosto. Namoradas? nops! Bullying? muito!
Lia Dostoievski e Hemingway. Não aguentou mais a escola e a abandonou, tendo submergido na leitura e no seu recém-descoberto amor: o álcool. Desde os 15 anos começou a escrever poesias, mas passou por vários trabalhos braçais - de motorista de caminhão a carteiro. Estudou jornalismo, mas nunca se formou.
Com seus primeiros contos publicados, encontrou-se na vida errante e nos excessos. Na década de 60 publicou trabalhos como "Mulheres" e "Cartas na Rua", e chamou a atenção da mídia. Suas obras casaram bem com a mentalidade da época, que começava a impregnar as cabeças de idéias anarquistas, antibelicistas e libertárias. Bukowski era um anti-tudo, mas que conseguia fazer (muito) sentido - em um mundo de guerra, religião, corrupção, desgoverno e hipocrisia, seu cinismo e sinceridade pareciam ser a coisa mais lúcida para alguns.
 
Casou-se com uma editora, separou-se logo depois. Então surgiu seu principal personagem, ou alterego, se preferirem. Henry Chinaski, um típico low life que compensava sua marginalização na sociedade envolvendo-se com mulheres e vícios, enquanto se debatia entre empreguinhos medíocres e a pura vagabundagem.
Bukowski tem a mesma proporção de admiradores e odiadores. Algo típico de sua personalidade e obra. Os que o admiram vêem nele a verbalização de muitos de seus próprios sentimentos de inconformismo, angústia, revolta, e principalmente insatisfação com o que o  mundo vende como "bom". Os que o odeiam sentem-se "ofendidos" por suas verdades, sua amoralidade, agnosticismo, e um cinismo que sempre questiona dogmas e padrões estabelecidos (pode colocar os religiosos no topo dessa lista...)


Camelando em um emprego insosso até quase 50 anos de vida, começou a ganhar projeção quando, erroneamente rotulado como beat, passou a fazer apresentações de seus textos a estudantes e fãs de leitura, sempre de uma forma irônica, largada e cheia de deboche. Afinal, ele lia como quem narra a própria vida, e com a mesma repulsa e nojo de seus personagens. Somente nos anos 80 o reconhecimento pareceu chegar, e ele passou o resto de sua vida (longa, considerando os abusos...) como uma espécie de celebridade às avessas. Teve livros transformados em filmes, embora declarasse não gostar de cinema. Escreveu contos, crônicas, e aquele tipo de poesia que destoa de tudo o que geralmente se classifique nesse termo.
Se você já conhece um pouco de sua obra, sabe do que estou falando. Caso queira ser apresentado ao tortuoso e antagônico universo de Bukowski, eu recomendaria o romance "Factotum". Leia e descubra o motivo.
Seu hedonismo e crítica estão presentes em cada página de cada obra. Coisas do tipo:
"For those who believe in God, most of the big questions are answered. But for those of us who can’t readily accept the God formula, the big answers don’t remain stone-written. We adjust to new conditions and discoveries. We are pliable. Love need not be a command nor faith a dictum. I am my own god. We are here to unlearn the teachings of the church, state, and our educational system. We are here to drink beer. We are here to kill war. We are here to laugh at the odds and live our lives so well that Death will tremble to take us."





























Quando finalmente foi derrotado pela leucemia, já aos 74 anos, foi enterrado em Los Angeles, criando definitivamente um personagem mitificado na literatura contemporânea. Como última prova de sua mordacidade e desdém, mandou que escrevessem em sua sepultura: "DON'T TRY".




música para reflexão: "Bukowski", do Modest Mouse

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

...e continuar errando...

Estreando a série "reedição dos posts mais lidos" (ou seja, repetindo, como todo mundo faz nesta época do ano...), um que certamente atraiu muita atenção... Vê aí, ó:

Não foi fácil ser convencido a escrever sobre esse tipo de coisa aqui. Minha contribuição neste espaço sempre foi mais sobre Heavy Metal, mulheres maravilhosas e palhaçadas em geral.
Mas não é de hoje que a gente discute o fato de que - com o passar do tempo, a chegada dos fios brancos, a entrada nos fatídicos "enta" dos 40... vem também uma dose de experiência fantástica - porque é empírica, pragmática. Entre uma fermentada e um destilado, volta e meia alguém diz: "se eu soubesse o que sei hoje 20 anos atrás..." ou então "se uma menina soubesse o que a gente sabe, a gente estaria f...". Isso porque, desde que o mundo é mundo, passamos a parte mais interessante da vida "correndo atrás" de alguém, ou alguéns...
Por que erramos tanto? Em que a idade e a vivência podem ajudar? E - repare que eu disse AJUDAR, e não ENSINAR! Ninguém vem com bula, e cada indivíduo é mais - ou menos - diferente de outro. Não há regra para acertar sempre (mais provável uma regra para errar sempre, isso sim).
Então ficou assim. Anos de "mercado" colocados na mesa: paqueras, ficadas, namoros, transas, casamentos, e muitas, muitas decepções... podem servir de "orientação" para, pelo menos, que o leitor atento não repita uma besteira que alguém já fez antes dele. Sabe aquele slogan do guia 4 rodas: "a gente entra nas furadas pra te ajudar a se livrar delas..."?
Meio como... "esses fios desencapados são perigosos. Se você tocá-los, com certeza vai se foder!" Não é melhor ler e NÃO fazer do que aprender na marra, tomando choque feito uma besta?

Não vai ser sempre, mas estaremos aqui. Você - fedelho que ainda está cambaleando na seara iluminada do relacionamento sexual, ou menina que ainda não sabe direito como lidar com essa aberração chamada "homem", com certeza vai ler coisas bem mais úteis do que essas porcarias tipo "nova" e "marie claire" tentam lhe ensinar usando nomes de psicólogos, sexólogos, e outros ólogos para emprestar credibilidade a cretinices pseudo-científicas. 

Então vamos logo para a primeira grande mentira que nos empurram:

OS OPOSTOS SE ATRAEM..?
Ah é?
Eu diria que, mesmo que se atraiam no começo, vão enlouquecer um ao outro depois.
Existem pessoas que realmente conseguem conviver bem com alguém que não tem nada em comum consigo. Aliás, quantos de nós não são forçados a fazer isso no trampo, na vida, até dentro da família?
Mas é um absurdo supor que pessoas sem gostos em comum vão conseguir manter um relacionamento estável, saudável e - principalmente - equilibrado. Um sempre vai estar cedendo - nas pequenas e nas grandes coisas. Até o dia em que o fio estica e arrebenta.
Ele gosta de SLAYER. Coloca o som alto, pega uma de suas guitarras imaginárias, e berra junto enquanto balança o cabeção. Ela não consegue ouvir uma única nota saída da guitarra fantástica de Kerry King - mas se amarra no funk do "M.C. não-sei-quezinho". Coloca o shortinho defunto (enterrado) e faz sua dança do acasalamento grupal enquanto ouve aquela maldita batida repetida à exaustão, acompanhada pela voz de vendedor de pamonha depois de uma faringite. 
Pergunta: quem vai ceder e ir ao show que o outro gosta? O cabeludo no morro curtindo funk, ou a popozuda no mosh pit chacoalhando os apliques? Pensa aí...
Bom - se o assunto é cama (trepar, transar, foder... sexo!), há negociação. Essa dança dá pros dois fazerem sem errar no ritmo (com o som desligado, de preferência...). Afinal, por sexo, o roqueiro vai em baile de carnaval, o sertanejo vai em show de metal nórdico
Mas - dá pra pensar em algo mais definitivo? 
Ele quer assistir futebol, ela quer ver novela. Um cede. Ele quer ir pro boteco beber cerveja, ela quer ir a uma vernissage. O outro cede. Ele não acha a menor graça em mulheres "produzidas". Ela pinta o cabelo de roxo e se veste como drag queen... 
Got the picture?
Evidentemente ninguém é 100% igual a ninguém. isso é ótimo, enriquece a relação, apimenta o relacionamento, e, principalmente, ENSINA.
Só que há coisas irreconciliáveis. Se eu tenho erisipela só de ouvir uma batida de axé, como vou conviver com uma mulher que chora de emoção quando o trio elétrico passa? 
OK, a gente tenta e fica juntos. Pode até fazer um acordo: ela ouve essa imundice no fone de ouvido, ou trancada no quarto revestido de caixas de ovos. Mas a coitada vai passar o resto da vida sem seu precioso carnaval na Bahia, sem ir ao show do "gerimum com caqui" (ou outro nome dessas bandas desgraçadas...), sem nem poder usar um abadá? Pra quê? Pra um dia, numa das milhares de briguinhas que todo casal tem e terá, um jogar isso na cara do outro?
É claro que vocês perceberam que eu usei "música" como exemplo - mas e se for algo mais fundamental... diferenças no caráter, no juízo de valores, no próprio modo de encarar a vida. Um casal onde um gasta tudo que ganha e outro poupa tudo que sobra... vai parar aonde? "Querida, estourei o cartão!" - "Tudo bem, amor, o importante é que eu te amo..."
Sério? Tá...

Então faça esse exercício: quando alguém lhe chamar a atenção (de um modo, digamos, "acasalatório"), analise a criatura e pense: item 1: quero só transar (ótimo, pule para o item 3); item 2: parece legal, dá pra pensar em namorar - epa, abra bem os olhos e analise o que pode vir junto com o pacote. Se for só o item 1, passe para o item 3. Se não, pense em vocês dois passeando no shopping de mãos dadas, você apresentando para os seus parentes e amigos. O cabelo roxo vai incomodar? As tattoos espalhadas pelo corpo? O alargador nas orelhas? O cabelo com quilos de gel e a camisa social fechada até o colarinho? O papo que gira entre novela e revista de menina? A camiseta do time de futebol? Vai pensando, vai liberando a imaginação... 
Se nada disso mudar sua ideia, se ainda assim você está na pilha de partir pra cima, é hora do item 3.



Item 3: mande ver! Aproveite... e Carpe Diem! A vida é curta demais para arrependimentos...





música para reflexão: "This Love", do Pantera.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

junte-se a nós...

Estamos aqui, aproveitando este fim de semana, para planejar alguma ação visando melhorar esta nossa pátria tão querida. Estamos levando em consideração o fato de que a maioria dos nossos sábios compatriotas achou lindo o que vem acontecendo nos últimos quatro anos, e acreditou em seus amados caudilhos para que a situação continue por, no mínimo, mais quatro anos...

Resumindo... estamos pensando em algo... uma operação, talvez... Você apóia ??!? Opa, então, junte-se a nós!!! 






música para reflexão: "Fuck this, I'm out", do OFF WITH THEIR HEADS.