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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Mais cerveja - mas de qualidade, por favor!






Origem

LAGER significa armazém em alemão. E não é à toa que o surgimento desta família seja creditado ao sul do país.
Nesta época, as cervejas não eram produzidas no verão, pois temperaturas amenas eram necessárias durante o processo de fabricação da bebida. Foi aí que alguns cervejeiros descobriram que a temperatura dos Alpes permanecia baixa até mesmo na estação mais quente do ano. Eles, então, passaram a fabricar mais na primavera com o intuito de armazenar os líquidos nas cavernas da área durante o verão (daí a origem do nome).
O que eles não podiam adivinhar era que as leveduras destas cervejas de alta fermentação iriam sofrer mutações e mudanças significativas por conta da baixa temperatura dos “armazéns”.As leveduras, que antes subiam à superfície, passaram a afundar no recipiente. O resultado disso foi uma cerveja mais estável e límpida.
E foi assim, sem saber ou mesmo querer, que os cervejeiros da Alemanha deram início às culturas de baixa fermentação. Inclusive, estatutos da cidade de Munique do ano de 1420 já registram a prática do armazenamento.

Famílias e estilos

As cervejas foram agrupadas em três grandes famílias: Ales, Lagers e fermentação espontânea. Primordialmente, essa divisão acontece com base nos critérios de fermentação utilizados em suas respectivas fabricações.
As Lagers, tema do post de hoje, são fermentadas a partir da levedura Saccharomyces Carlsbergensis a temperaturas em torno dos 10°C. Geralmente são filtradas e possuem coloração clara e dourada, mas também existem algumas variações escuras. Aromas de cereais, pão e lúpulo são comumente encontrados nas cervejas lager que, em geral, não são frutadas.
Dentro desta grande família é possível subdividir as cervejas em mais de 30 estilos, nem todos com divulgação forte aqui no Brasil. Alguns dos mais comuns são:

Pilsen


Representa 98% do mercado nacional. Surgiu em 1842, na cidade de Pilsen (República Tcheca), e logo ganhou notoriedade devido à coloração dourada que a diferenciava do padrão mais escuro das cervejas daquela época. Atualmente existem mais de 8 mil marcas de Pilsen. Exemplos: Pilsner Urquell e Budweiser Budvar/Czechvar.


Dunkel


O nome significa “escuro” em alemão. Estas, portanto, são as cervejas produzidas com malte de cevada torrado. Harmonizam com queijos gruyère, gouda e provolone, além de carnes vermelhas e grelhadas. Exemplos: Warsteiner Dunkel e Hofbräu München Dunkel.

Bock
Originárias de Einbeck, no norte da Alemanha, estas cervejas são avermelhadas e encorpadas. Também são conhecidas por “cervejas de inverno” desde a era medieval, quando os monges não podiam comer durante determinada época do ano e se alimentavam apenas de Bock. Eles acreditavam que a bebida tinha a capacidade de limpar tanto o corpo quanto a alma. Exemplos: Chouffe Bok 666 e Brasal Bock.




Rauchbier


Originárias de Bamberg, na Alemanha, estas cervejas são conhecidas por serem defumadas (que, inclusive, é o significado da palavra em alemão). Harmonizam com queijos defumados, frios, salmão, salsichas e porco. Exemplos: Schlenkerla Rauchbier Märzen, Kaiserdom Rauch-bier, Eisenbahn Rauchbier e Victory Scarlet Fire Rauchbier.



música para reflexão: "Have a drink on me", do AC/DC

terça-feira, 19 de julho de 2011

A mais alemã das brasileiras...

Ela tem nome alemão, é fabricada segundo a "Lei de Pureza Alemã de 1516" (que estabelece que somente são permitidos cevada maltada, lúpulo e água na sua elaboração), e faria bonito em qualquer caneca de Oktoberfest - de Munique, é claro.
Apesar disso, ela é fabricada na pequena e simpatissíssima cidade paulista de Cunha, bem no alto da Serra da Mantiqueira. Talvez seja o visual fantástico das montanhas, ou o friozinho da serra, ou a calma típica das cidadezinhas rurais - mas o fato é que a cerveja WOLKENBURG é uma brazuca de alma germânica!
A WOLKENBURG é uma microcervejaria, ou por que não, um artesanato cervejeiro. Com poucos anos de vida, já atingiu um patamar de excelência. Guardadas as proporções do "tamanho" do empreendimento, que é praticamente familiar, pode figurar tranquilamente entre as melhores cervejas fabricadas no Brasil.
Sua variedade mais tradicional é (logicamente) a WEISS, de trigo, cuja maior característica é a cremosidade da sua espuma, e o aftertaste amargo-adocicado. Leve, mas consistente, quase não se percebe sua graduação alcoólica de 4,8%. Você já bebeu alguma "Weiss" de alguma marca famosa no Brasil, e notou um gosto ácido, acre, meio que de azeitona? Pois é - a Wolkenburg é diferente. No primeiro gole você percebe justamente o oposto da acidez - a maciez, envolvida por um sabor frutado. É sempre muito difícil definir um sabor, por isso sejamos diretos: uma Weiss com sabor de WEISS. E pronto.
Depois tem a FIT, uma variação feita pra conquistar os que querem ficar em forma sem abrir mão do imcomparável prazer de uma cervejota. Com apenas 2,8%, é refrescante e leve, e - mesmo com redução nos carboidratos - mantém a consistência e o aroma. Mesmo para os que torcem o nariz para cervejas com pouco álcool, eu recomendo uma provinha, já que ela coloca no chinelo a maioria do que tem no mercado.
A LANDBIER é uma surpreendente Pale Ale. Com 5% e a coloração típica das Pales, toma conta do paladar com um sabor forte e marcante. Igualmente cremosa, levemente avermelhada, tem um aroma típico - talvez até britânico demais para uma alemã (e isso é um elogio, já que a Ale vem daquelas bandas...). Levemente caramelada, bem encorpada - ou seja, em equilíbrio.
Deixei para falar por último da DUNKEL, e por um motivo: é a minha preferida. Forte (5,3%), consistente, marcante e - o que é fundamental para uma Dunkel - com o amargor altamente balanceado. Não deixa um aftertaste de café amargo como algumas congêneres, muito menos adocica a boca. É um sabor robusto, que enche a boca, mas desce macio como creme! Aroma perfeito, espuma perfeita, cor lindamente escura. Esqueci algo? Ah, sim... é uma autêntica DUNKEL, da espuma ao resíduo!
Na minha modestíssima (porém bebidíssima) opinião, a melhor cerveja artesanal do Brasil. E tenho dito!
Sede da WOLKENBURG, em Cunha/SP.
A WOLKENBURG, como eu disse, está localizada na estância climática de CUNHA/SP. Em sua bela sede, você pode ver o processo de fabricação, conversar com o Mestre Cervejeiro, e ainda provar essa delícia. E, se eu posso dar uma opinião é - não confie na minha opinião - PROVE você mesmo! 
Como tudo que é bom, não é uma cerveja que se encontre fácil por aí. Sua distribuição é bastante regional, e a produção ainda é pequena (se dependesse de mim, seria toda destinada à minha geladeira...). Mas, entre em contato com eles e informe-se. Ou, melhor ainda, faça esse passeio lindo pela Estrada Real que leva até Cunha, conheça as paisagens, os moradores, restaurantes e cafés charmosos da região - e termine o tour tomando uma(s) deliciosa(s) WOLKENBURG!

Prosit!


(P.S. - este não é um post pago. Apenas um serviço de utilidade pública cervejeira em prol da difusão das melhores brejas deste país!)



música para reflexão: "Have a drink on me", do AC/DC


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