sábado, 23 de novembro de 2013

Não, você NÃO é do Rock'n'Roll..........

Oooooo.....vejam como nós somos estilosos! É o RoqueErrou!
Não entendeu? Eu repito:
Você NÃO é do Rock'n'Roll. E por um dos motivos a seguir. Tente colocar isso na sua cabecinha quadrada.

Você não escolhe curtir Rock. Você é escolhido por ele. 
Um belo dia, no ambiente menos provável, você vai ouvir aquele acorde, aquela batida, aquele grito - e vai saber que quer ouvir aquilo para o resto da sua vida. 
E o Rock é exclusivista. Um estilo musical ciumento, possessivo. Embora admita certas liberdades, como música clássica, sub (e super)gêneros honrosos, como o Jazz e o Blues, o "ecletismo" beira a impossibilidade.
E - não - não o ecletismo dentro do Rock. É aceitável curtir Hardcore e Prog ao mesmo tempo. Ambos possuem o mesmo DNA. Já aquela toada de que "ah, eu gosto de tudo, Rock, funk, pop, chorinho..." coloca você diretamente no título deste post. Você não é do Rock se está ao lado de uma pessoa que não gosta de Rock - ou pior - gosta INCLUSIVE de Rock, entre músicas de maior ou menor potencial enojante.
O Rock não é música. É lifestyle. 
Se tá difícil entender, assista o documentário do Lemmy.
Você não corta seu cabelo ao "estilo Rock", não faz tattoos "ao estilo Rock", e não compra roupitchas "ao estilo Rock". Porque o Rock é - em si - uma total ausência de estilo. E é justamente aí que mora a alma rockeira. A camiseta preta não foi comprada naquela loja famosa e nem aparece no editorial de moda. Ela foi achada numa birosca de esquina, ou herdada de alguém, ou até feita à mão, em casa. Modelos lindas nas fotos com seus lookinhos "jeans rasgado, camiseta de banda, acessórios de spikes" são a antítese do que é SER do Rock'n'Roll.
Houve um tempo em que o simples fato de ouvir Rock era ato marginal. Daí o orgulho de se vestir diferente, comportar-se diferente, envelhecer em um tempo completamente surreal diante dos "outros". O Rock só tocava nas rádios especializadas, nos programas especializados, só figurava em revistas especializadas - geralmente as mais pobres e mais mal feitas, os fanzines. Ostentar uma camiseta do AC/DC, do Motörhead, do Led... era quase que um uniforme da Resistência. Um sonoro NÃO ao conformismo, ao modismo, ao rebanho de seguidores que rezam pela cartilha do que "está in"...
Hoje em qualquer lugar se vê cretinos usando camisetas de 200 reais, geralmente logos de bandas "repaginados"(bleargh) por "grandes estilistas". Invariavelmente acompanhadas por jeans caríssimos, acessórios de marca. E por pessoas que no dia seguinte estarão usando camisa polo rosa com aquele jacarezinho ridículo, ou camiseta do "framengo", do "curíntia", ou um vestidinho caro daquela loja que explora trabalho escravo...
Essas são aquelas pobres pessoas que consomem. Consomem muito. Talvez para tentar tapar aqueles buracos na alma, talvez para ganhar milhões de "curtidas no face" daqueles amigos mooooito sinceros que morrem de medo de você não "curtir" as fotinhos ridículas que eles próprios postam. Talvez até seja o simples desejo de pertencer a um grupo, uma gangue, um segmento diferente... whatever.
O fato é que o Rock não é artigo de consumo. 
SIM, você PODE comprar tudo. E existem os babacas que vendem de tudo. Você pode até achar que "é do Rock"........ mas aí o tempo vai passar, você vai voltar àquela roupinha enquadrada. Vai ouvir o sonzinho fácil e intragável das rádios. Vai voltar a ser o que sempre foi.
Você pode ter dinheiro para comprar uma Fender Stratocaster só para pendurar na sua parede. Isso não fará de você nem uma ameaça de Rocker.
Se ainda não entendeu nada, ligue sua TV e sintonize na MTV brasileira. É autoexplicativo. Menininhos e menininhas vestindo roupinhas de marquinhas famosinhas, com suas tattoos coloridinhas e gírias escrotas. Um milhão de amiguinhos e seguidores nas redes sociais, dezenas de fotinhas nas revistas de "gente famosa".
Isso não é Rock'n'Roll.
Rock'n'Roll é um jovem de mais de 60 anos usando a roupa que lhe agrada, ouvindo e tocando o som que lhe agrada, e - não por coincidência - criando há décadas os parâmetros para alguém que É do Rock (quem seria esse menino... alguém arrisca?)

Já você esta tão longe do espírito Rockeiro quanto sua botinha de loja famosa está da unha podre do dedão do pé de Lemmy Kilmister. 

Get real.




música para reflexão: "For those about to Rock", do AC/DC

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

E quando a gente acha que o futuro tá meio fraco...

O nome desse tesouro é SARA, e a (excelente) banda é a MOTION DEVICE.

Quem toca sabe que "Heaven and Hell" não é para principiantes. Mestre DIO deve estar sorrindo lá naquele pub do outro lado...

YOU GO, KIDDO!!! 


\,,/

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Produtos de marcas famosas...

...de onde será que eles vêm, quando os trouxas desembolsam rios de dinheiro para ostentar um logotipo..?

I wonder...





música para reflexão: "Don't pretend you didn't know", do Dinosaur Jr.

sábado, 2 de novembro de 2013

Pra quem se garante... mesmo!

ZEITGEIST é um documentário que provoca uma única reação: espanto.
Seja daqueles de mente aberta, que gostam de saber a VERDADE sobre tudo, experimentam, analisam, não têm medo de utilizar o cérebro...
Ou daqueles de mentalidade tacanha - que, por preguiça de raciocinar, ou medo de "consequências", preferem se apegar a "crenças" (entenda - algo que não pode ser comprovado) do que questionar.
ACREDITAR é uma questão pessoal. 
Mas acreditar cegamente beira a insanidade. No que quer que seja.
"Fé" não é argumento válido. "Porque sim" e "porque não" são respostas que se dá a crianças de no máximo 2 anos de idade. Um ser humano que possui algo no espaço que separa as orelhas PRECISA questionar absolutamente TUDO. Sem medo de "castigo", "punição", ou da reação dos seus pares.
Nosso mundo cultua seres invisíveis, jamais comprovados, protagonistas de historinhas tão absurdas que não seriam utilizadas nem em contos dos irmãos Grimm. Mas quando alguém levanta a voz para questionar o que "a massa" aceita cegamente, revivemos o período grotesco da Inquisição. Que, aliás, foi promovida por aquela instituição que também gosta de cultuar amigos imaginários - e te ameaça se você não fizer o mesmo... e cobra caro por isso.

ZEITGEIST está integralmente disponível no Youtube (link abaixo). Com legendas em português. É o primeiro de uma série de documentários, mas com certeza o principal deles.

Assista, nem que seja para meter o pau e voltar para sua cômoda vidinha de crenças absurdas. Pode ser, porém, que uma luzinha vermelha comece a piscar em alguma região do seu pouco usado cérebro... um sinalzinho de alerta para você começar a VER a verdade, enquanto é tempo. Sobre todas as coisas, mas sobre você mesmo.

Isto é... se você se garante.




música para reflexão: "Lies", do Korn.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Slipknot - "Duality" LEGENDADO para você!


Um dos exemplos que fazem do SLIPKNOT uma banda cultuada por Metalheads de todas as idades. A fúria, a desilusão, a violência que habita a cabeça de todos, em maior ou menor grau - liberadas no máximo volume por Corey Taylor e sua (literalmente) gang. 
Assista, acompanhe a letra, bata sua cabeça até ela cair do pescoço...

Porque não há outro jeito de headbanguear.........



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Bukowski... ou... o detetor de hipocrisia.

Charles Bukowski é um desses casos em que fica muito difícil separar vida e obra. Ou talvez seja até fácil, se não tentarmos separar uma coisa da outra. Tudo o que a sociedade estabelecida abomina tem protagonismo na obra dele - seus personagens são desajustados, marginalizados, viciados, e sempre contestadores do establishment.
Exatamente como ele próprio. Nascido na Alemanha em 1920, mas criado desde criança nos EUA, Charles teve daquelas infâncias problemáticas. Era filho de um soldado americano estacionado na Alemanha, violento, descontrolado e sem o menor talento para o trabalho de pai. Espancamentos frequentes eram seu elo mais forte com a figura paterna.
O mesmo na escola, onde o desajustado Charlie não conseguia fazer amigos. Sua inteligência já o fazia olhar o mundo com outros olhos, era um questionador. Pra piorar, ao chegar a adolescência, desenvolveu uma estranha doença inflamatória que lhe deformou parte do rosto. Namoradas? nops! Bullying? muito!
Lia Dostoievski e Hemingway. Não aguentou mais a escola e a abandonou, tendo submergido na leitura e no seu recém-descoberto amor: o álcool. Desde os 15 anos começou a escrever poesias, mas passou por vários trabalhos braçais - de motorista de caminhão a carteiro. Estudou jornalismo, mas nunca se formou.
Com seus primeiros contos publicados, encontrou-se na vida errante e nos excessos. Na década de 60 publicou trabalhos como "Mulheres" e "Cartas na Rua", e chamou a atenção da mídia. Suas obras casaram bem com a mentalidade da época, que começava a impregnar as cabeças de idéias anarquistas, antibelicistas e libertárias. Bukowski era um anti-tudo, mas que conseguia fazer (muito) sentido - em um mundo de guerra, religião, corrupção, desgoverno e hipocrisia, seu cinismo e sinceridade pareciam ser a coisa mais lúcida para alguns.
Casou-se com uma editora, separou-se logo depois. Então surgiu seu principal personagem, ou alterego, se preferirem. Henry Chinaski, um típico low life que compensava sua marginalização na sociedade envolvendo-se com mulheres e vícios, enquanto se debatia entre empreguinhos medíocres e a pura vagabundagem.
Bukowski tem a mesma proporção de admiradores e odiadores. Algo típico de sua personalidade e obra. Os que o admiram vêem nele a verbalização de muitos de seus próprios sentimentos de inconformismo, angústia, revolta, e principalmente insatisfação com o que o  mundo vende como "bom". Os que o odeiam sentem-se "ofendidos" por suas verdades, sua amoralidade, agnosticismo, e um cinismo que sempre questiona dogmas e padrões estabelecidos (pode colocar os religiosos no topo dessa lista...)
Camelando em um emprego insosso até quase 50 anos de vida, começou a ganhar projeção quando, erroneamente rotulado como beat, passou a fazer apresentações de seus textos a estudantes e fãs de leitura, sempre de uma forma irônica, largada e cheia de deboche. Afinal, ele lia como quem narra a própria vida, e com a mesma repulsa e nojo de seus personagens. Somente nos anos 80 o reconhecimento pareceu chegar, e ele passou o resto de sua vida (longa, considerando os abusos...) como uma espécie de celebridade às avessas. Teve livros transformados em filmes, embora declarasse não gostar de cinema. Escreveu contos, crônicas, e aquele tipo de poesia que destoa de tudo o que geralmente se classifique nesse termo.
Se você já conhece um pouco de sua obra, sabe do que estou falando. Caso queira ser apresentado ao tortuoso e antagônico universo de Bukowski, eu recomendaria o romance "Factotum". Leia e descubra o motivo.
Seu hedonismo e crítica estão presentes em cada página de cada obra. Coisas do tipo:
"For those who believe in God, most of the big questions are answered. But for those of us who can’t readily accept the God formula, the big answers don’t remain stone-written. We adjust to new conditions and discoveries. We are pliable. Love need not be a command nor faith a dictum. I am my own god. We are here to unlearn the teachings of the church, state, and our educational system. We are here to drink beer. We are here to kill war. We are here to laugh at the odds and live our lives so well that Death will tremble to take us."
Quando finalmente foi derrotado pela leucemia, já aos 74 anos, foi enterrado em Los Angeles, criando definitivamente um personagem mitificado na literatura contemporânea. Como última prova de sua mordacidade e desdém, mandou que escrevessem em sua sepultura: "DON'T TRY".




música para reflexão: "Bukowski", do Modest Mouse