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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

É a festa da torcida campeã!!!

...e parabéns pelo título!

Não se deve discutir política, religião, e... futebol. É o que dizem, certo?
Então, como já discutimos bastante política e religião, está na hora de falar da "pátria de chuteiras", esse esporte nobre, bonito, vigoroso, que consiste de 22 machos (por assim dizer) correndo atrás de uma bola. 
Compõem o esporte: cabelos "estilosos", tatuagens (geralmente com nome de mulher, filhos ou jesus), brincos de brilhantes (dos grandes, please!), carrões caríssimos, mulheres facílimas, e muita...muita adoração pública.
Para descrever é preciso generalizar. Felizmente, nem todos - de ambos os lados da cerca que divide o gramado da torcida - se enquadram nos estereótipos. Mas são as exceções que fortalecem a regra.
Eu gosto de esportes. Muito. Embora confesse que prefiro os individuais, onde o atleta tem que superar seus próprios limites, também acho interessante os coletivos. Não que pare para assistir, porque na verdade prefiro perder esse tempo todo com um programa mais interessante. Mas todo esporte parte de um princípio digno de competitividade, saúde, boa forma, superação. Quando bem aplicado, mostra o que o ser humano tem de melhor.
Mas não consigo ver isso no futebol. E - entendam - no futebol profissional, dito de "alto nível", formado por times campeões, atletas miliardários e transmissão pela TV. Tudo bem, gosto é gosto, e se você quer perder seu tempo ocioso vendo essas criaturas chutando a pelota de cá pra lá, ótimo! Seja feliz...
Entretanto, tudo que desperta tanta "paixão"(?), também traz à tona o que o ser humano tem de pior. 
Como temos acompanhado pelos noticiários, nosso amado país, que irá sediar a maior competição desse esporte no planeta, tem protagonizado cenas dignas de filmes de zumbis. Imbecis vestidos de uma certa cor agredindo idiotas vestidos de outra cor. Pancadaria, tumulto, morte.
os socorristas perdem seu precioso tempo com quem poderia estar em casa, na paz...

...e a cidade fica menos protegida porque a polícia precisa proteger os animais de outros animais...

E por que?
Porque "meu time" é melhor que o seu. Porque "minha camisa" é mais bonita que a sua. Porque a porcaria do meu time ganhou ou perdeu, e o seu não. E, como não estamos em um clube de xadrez ou jogando RPG, vamos exercitar aquela ervilha que chamamos de cérebro e fazer o óbvio: a selvageria.
O que exatamente você ganha quando seu time é campeão de algum desses milhares de campeonatos? O prazer de chegar no dia seguinte no trampo com a camisa do time e tirar sarro dos colegas? A inenarrável satisfação de colar um adesivo no carro para que o mundo veja que sua poderosa esquadra é a campeã do...sei lá qual...título?
O que leva um cidadão a deixar a família em casa, se enfiar num coliseu chamado estádio, e se refestelar pulando e cantando, misturando seus fluidos corporais aos de centenas de "companheiros  de torcida"? 
E - mais ainda - qual a mínima razão de partir para a violência, de agredir (e até matar) alguém que você nem conhece, um pai de família, apenas porque ele escolheu torcer pelo time adversário? 
Eu entendo guerreiros no campo de batalha. Entendo os gladiadores que lutavam pela própria existência. Entendo até o criminoso que arrisca sua vida para o que acha ser seu "trabalho"(???).... mas ninguém vai me convencer de que existe um mínimo de razoabilidade em fazer o que esses animais fazem.
No passado, o Brasil baniu a briga de galos. São proibidas todas as rinhas envolvendo animais.
Mas tirar a tarde de domingo para deixar a patroa em casa (bom, pelo menos ela sai ganhando, com toda certeza) e se aventurar num estádio, aí é legal pacas! Nós, que não gostamos de futebol, é que somos os "anormais". E aí, ou você volta pra casa feliz porque a porra do seu time ganhou (e você continua tão rico, lindo e famoso quanto era antes), ou volta arrasado porque levou ferro do adversário (e aí, pobre da família, aguentando o mal humor do papai perdedor). Melhor ainda - não volta. Porque foi preso, ou simplesmente morreu.
Ah, é. Tem um fato que não se pode esquecer...
Enquanto você gastou seu precioso dia de folga se arrumando, pegando condução, ou deixando seu carro a deus dará na porta dos estádios, e se deleitou sob sol e chuva abraçado aos seus perfumados colegas de torcida. E voltou pra casa mais pobre com os preços extorsivos dos ingressos - isso se der a sorte de voltar... seus "ídolos" colocaram mais algumas dezenas de milhares de reais em seus bolsos.

Você reclama de pagar a mordomia dos políticos. Mas acha lindo pagar as farras, excessos e putarias desses caras. Passa a semana correndo atrás do "pão", e o final de semana curtindo o "circo". Então, mais uma vez, parabéns meu amigo, minha amiga! Encha o peito, abrace o torcedor ao lado, e grite "SOU campeão!!!" Depois eu conto qual o seu título...

calma! ao invés de educação, ele optou pelo esporte... Brasil-sil-sil!






música para reflexão: "Violence and Bloodshed", do Manowar.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A grande lição de Infeliciano.

porque cabelo ruim é coisa de povo amaldiçoado...

Os recentes acontecimentos envolvendo o pseudo-representante-de-deus cujo nome não tenho a menor vontade de invocar me fizeram concluir que, em pelo menos uma coisa, estou certo: a humanidade, como um todo, está condenada.
Isso. Condenada, como em “doomed”, acabada, destruída, estraçalhada. Toda a ideia de sociedade, convívio social, essa utópica balela idealizada ainda nos tempos das cavernas, hoje se sustenta sobre aparências e mentiras.
E já vou direto ao ponto: essa anedota de ser humano travestida de representante de deus não seria tão grande ameaça – se não houvesse a figura principal: o idiota que o elegeu para nos representar. E não adianta dizer que ele não te representa, porque SIM, ele representa. E você paga desde os lacaios que o servem até a chapinha que ele diligentemente refaz a cada semana.
Não quero entrar no mérito do que você crê (ou deixa de crer). A religião, por si só, serve mais para desunir e incitar a belicosidade do que para unir. Seja ela qual for. O simples fato de existir uma “vertente”, uma “denominação” já estraga o plano todo do “religare”, a reconexão com o que se supõe ser sagrado (a ideia primeva das religiões). Se todos nós nascemos no mesmo planeta e pelas mesmas vias (direta ou indiretamente), e se por acaso estivermos sob os auspícios de algum poder superior, este será soberano e – em última análise – imparcial. Se você reza, ora, conjura, decreta, ritualiza... para este deus, aquele, aquela entidade, aquele poder... pouco interessa.
Quando um avião cai, não sobrevivem apenas os que seguem ao “deus certo”.  Todos sofremos, todos padecemos, todos morremos. E o que acontece depois está restrito ao ramo da suposição, do palpite – não interessa como você chame.
O que vale mesmo é o AGORA! E neste vago momento que chamamos de presente, temos um mentecapto que foi alçado ao poder por mentes tacanhas e estúpidas. Seres que passam a vida pensando que podem fazer de tudo porque sua “oração” vai protegê-los dos males, do demônio. Aos gritos, em lágrimas, enchem seus corações e esvaziam suas carteiras atrás de "salvação".
Mas o único demônio que existe está dentro de cada um de nós. O “pastor” em si não é mais do que um grão de excremento. O que ele representa, sim, é aterrorizante. Ele foi construído por uma ideia, uma crença, uma “causa”, se preferirem. Como se uma pessoa com orientação sexual diversa da sua representasse um poder maligno. Como se uma pessoa com a cor diferente da sua fosse um passo atrás da evolução humana...
O que me aterroriza é pensar que até mesmo o próprio Hitler tinha um propósito "explicável" (dentro de sua insanidade) quando determinou a extinção dos homossexuais: eles não procriariam, consequentemente não iriam contribuir para o aumento do seu séquito nefasto de seguidores. O mesmo com pessoas de raças que aquele animal considerava “inferiores”: elas poderiam estragar a cor homogênea de seus bonequinhos e bonequinhas arianos...
Mas com o “pastor”, o ódio e a discriminação surgem apenas de palavras escritas por homens quase pré-históricos em uma linguagem tantas vezes alterada por tradutores incompetentes ou tendenciosos. E ali, tecendo essas palavras para fazer uma tapeçaria que lhe sirva, o energúmeno se acha no direito de dizer que o “todo-poderoso” não quer gays ou negros na terra. Que são amaldiçoados. Que deveriam ser extintos. Porque ele diz. E pronto.
Enquanto um lacaio alisa seus cabelos horrendos, e outro cuidadosamente lhe arranca as sobrancelhas desgrenhadas, ele escreve discursos que irá ler para seu cortejo de acéfalos, aos gritos, emocionado. E – pior – eles entenderão como se uma força superior estivesse dizendo esse amontoado de asneiras pela boca cheia de postiços de alguém “enviado por deus”. Basta seguir suas palavras, e eles serão salvos da pobreza, da doença, de tudo que o mundo pode trazer de ruim. Mesmo as desgraças causadas por eles próprios e seus filhos, eles mesmos possíveis assassinos, ladrões, estupradores, ou simplesmente pessoas de bem, honestas e íntegras, que, por serem homossexuais, são jogadas na vala comum da maldade pelos ditames do “pastor” que detém a verdade.
Este é o mundo em que vivemos. Você e eu somos parte disso.
Como se a minha segurança física, minha paz de espírito ou minha própria vida fossem de algum modo ameaçadas por seres humanos com uma orientação sexual diferente da minha. Ou a cor da pele... ou a própria opção religiosa. Não interessa no que você acredita, para quem reze, peça ou conjure. Desde que você seja um cidadão de bem, um ser que pensa em sociedade, que não fere e não deseja ser ferido, que mal pode me fazer? Se esses seguidores do arauto do mal estiverem se afogando, será que iriam recusar uma mão salvadora – se fosse a mão de um gay ?
Mas a culpa não é do “pastor”. É de quem o colocou lá. De um coletivo acéfalo.
Hitler, Mussolini, Stalin, todos foram legitimados pelo poder desse coletivo. Se ele agora está lá, no meio dos seus pares, foi porque o “povo” o colocou lá, à direita e à esquerda de todo o mal. Com exíguas exceções, todos eles estão lá para cuidar dos próprios interesses, e jamais irão se voltar contra um dos seus – pois não desejam o mesmo para eles próprios, certo?
Toda manifestação contrária é legítima, necessária e bem vinda. Mas nada vai apagar o fato de que existe uma massa, um coletivo, um grupo – seja ele qual for – com poder suficiente para colocar no poder qualquer facínora que, por acaso, caia em suas graças.
Isso me faz ter certeza de que a humanidade chegou a um ponto crucial. Fossem verdadeiras as palavras daquele livro que consideram sagrado, já teríamos virado cinzas fumegantes. Afinal, por muito, muito, muito menos, o "poder supremo" fez chover fogo em duas cidadezinhas sacanas lá no meio do deserto, Sodoma e Gomorra. Que, perto do que assistimos nos noticiários de hoje, seriam paraísos da paz, resorts da tranquilidade e da boa vida.
Essa é a grande lição de Infeliciano.
Aliás, ele não tem condições de ensinar nada a ninguém. Apenas nos serve de espelho para que possamos ver o mal que está dentro de nós mesmos.





música para reflexão: "God hates us all", do SLAYER.